X

 

 

   Esta noite não se fará amor nem carícias, mãos não serão dadas e nem palavras serão poupadas. Ouvimos de longa distância o choro das crianças, os bêbados regurgitando na sarjeta, os tiros que nunca param até haver sangue escorrendo pelas ruas.
   O que um dia foi considerado um “ladrão”, era aquele estrangeiro que roubava pão para se alimentar, hoje são os heróis que sentam nas poltronas de poder. O que um dia foi considerado “herói”, era aquele que defendia um povo com atos de bravura, hoje são os reis que vendem a morte. O que um dia foi considerado “rei”, era aquele que amava seu povo dentro da corte e cuidava de todos como se fossem seus filhos, hoje são chamados de tolos e são expulsos de qualquer reino.  A Corte que um dia foi palco das histórias mais românticas que o mundo já viu, hoje é palco de palhaços egoístas e sem caráter.
   Antes o medo vinha das fantasiosas histórias contadas, com monstros e criaturas ocultas, o medo vinha do desconhecido. Hoje o medo vem quando se sabe demais.
   O povo era burro, marionetes das igrejas e ignorantes, alguns não, se refugiavam na floresta e aprendiam com as leis da natureza a se cuidarem, hoje o povo continua burro, marionetes da indústria e da imagem pré-estabelecida pelas empresas, os que se negam, viram marionetes do morro, alguns se refugiam em livros e museus e fazem seu próprio pensamento.
    Antes, os “bobos da corte” eram artistas que divertiam os reis, fazendo dos próprios reis os maiores bobos. Hoje estes “bobos” fazem de multidões um único rei bobo. Na verdade, são os novos reis.
   Os generais eram combatentes da corrupção e sinal de segurança, hoje tudo se mistura em uma única coisa. Quando todos protegiam seu castelo com armas e dentes para o bem de todo o povo, hoje se fazem gangues para destruir o próprio castelo de dentro para fora, são ignorantes ao matar a família que um dia os protegeu.
   Quando os bosques já foram dotados de grande fartura e vida para os apaixonados, hoje é desprezo e ressaca.
   Esta noite nada será como antes, pois os dias que estão por vir também não serão como antes, disto eu faço meu luto, da sua morte o meu prazer, da sua ignorância minha raiva, do seu egoísmo o meu maior triunfo e do seu choro o meu amor. 
 

 

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